21 setembro 2006
eu só quero ler clarice, esquecer e deprimir
"e, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração. antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia"
19 setembro 2006
I'll be
i'll let you live inside of me - let me give you a daughter - feel life through my skin - see the world through my eyes
16 setembro 2006
nada passa
"nada passa e a gente vira um amontoado de todas essas coisas – ainda bem – senão não valeria à pena" (CA)
15 setembro 2006
we never end
09 setembro 2006
08 setembro 2006
07 setembro 2006
anestesia geral
Que revolta vazia, seca e desesperada. Não é o mundo, sou eu, que fico aqui parada, sentada em cadeira confortável, preocupada com as tarefas do dia e com as coisas que estão dentro de mim. Sempre olhei muito para dentro. E de que vale isso? O que muda sentir pena. O que muda perceber que está tudo errado? Se continuo juntando dinheiro para comprar aquele vestido de duzentos reais que vi ontem em uma vitrine. Sou egoísta, sempre fui. E muita gente que conheço também é. E talvez seja por isso que tem tanta gente morrendo enquanto escrevo essa carta para ninguém. Quando tentaram tapar nossas bocas há quarenta anos atrás ainda existiam pessoas que se revoltavam, a ponto de dar suas próprias vidas pela liberdade, para se fazer ouvir, por uma democracia, uma voz. E de que adiantou? As armas continuam apontadas para nossas bocas. E somos um bando de mudos egoístas. Covardes. Me vejo agora com um grito entalado na garganta. E me calo, como vejo todos calarem. Não existe mais direita e esquerda, não existe mais centro. Não existe mais nada. Milhões de pessoas passam fome, morrem em hospitais sem auxilio, frutos podres de uma violência que se transformou em guerra civil. Todos sabem disso. Mas ninguém se revolta mais. Preferem se trancar por trás de grades em suas casas confortáveis. Com televisões de plasma que lhes mostram o que tem ali do lado de fora de seus quartos com ar condicionado. Se o mundo está queimando, isso não os atinge. Se pessoas morrem de fome, isso não os atinge também. E sem sentir nada assistem a telejornais na hora do jantar, comendo pratos quentes. Sem sentir nada. Sem sentir nada. Estamos todos anestesiados. Matar e morrer é normal. Viver no luxo enquanto outros vivem na merda é normal. Desviar dinheiro público é normal. Guerra é normal. Vou enlouquecer se continuar a fazer nada. E espero que todos enlouqueçam também. Que todos que estão parados sem fazer nada enlouqueçam. Que quem acha normal enlouqueça para perceber que não é – isso tudo não é normal. Vejo todos os dias pessoas precisando de ajuda e sendo maltratadas por isso. Como trato um negro pobre que se aproxima para pedir ajuda? E como ajudo? Eu ajudo? Trabalho e pago impostos. É isso o que eu faço para um mundo melhor. Compro papel reciclado. Dou esmola para quem vigia o meu carro. E pronto. Muito bem, mas não é suficiente. E muita gente sabe disso também. É só olhar o mundo e ver que é preciso mais. Quando entrei em uma favela pela primeira vez na minha vida tive a nítida impressão de que poderia ser eu ali, no lugar daquela moça com um monte de criancinhas remelentas e nuas penduradas em volta. Ela nasceu no mesmo dia que eu, na mesma hora. Mas me levaram de carro para uma casa na qual havia um berço a me esperar, enquanto ela nem tinha uma casa. E se fosse eu a não ter para onde ir? E se eu tivesse nascido e crescido naquela favela, quem eu seria hoje?
the magic numbers
"maybe I'm a fool for walking in line/maybe I should try to lead this time/I'm an honest mistake that you make/did you meen to?"
06 setembro 2006
momento concreto
Começou no verão sueco de 1995, com três garotas que compartilhavam o mesmo gosto apurado por música e arquitetura - Victoria Bergsman, Lisa Milberg e Maria Eriksson. Depois de nascer, cresceu: The Concretes tem hoje, oficialmente, oito integrantes (o que pode chegar a 20 na execução de seus trabalhos). Seu novo álbum, In Colour, lançado em março deste ano. Está perfeitinho e não sai mais do som do carro. Foi gravado em Estocolmo e mixado em Nebraska pelo produtor Mike Mogis. Fiquei sabendo, no mês passado, que Victoria Bergsman (vocalista) decidiu sair da banda para se dedicar a sua carreira solo. O que me comoveu, apesar da banda continuar em atividade (é, The Concretes já está confirmado para a próxima turnê do The Magic Numbers!). Recomendo também os trabalhos anteriores da banda, que está entre minhas favoritas. Experimente Layourbattleaxedown (2005), The Concretes (2003) e Boyoubetterunow (2000). 03 setembro 2006
02 setembro 2006
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