23 abril 2007

e agora, josé?

hoje assisti de camarote minha vó, no alto de seus 73 anos, brigando com sua irmã, de 70. briga impressionantemente parecida com a que tive com o meu irmão semana passada. eu, 28. meu irmão, 26. talvez um pouco menos violenta a briga entre elas. talvez menos energia... mas estavam lá a raiva, a mágoa, o rancor. a intolerância e a dificuldade de compreender o outro. foi coisa de dar medo. aquele medo normal de quem vê um coraçãozinho tão frágil inflar em desentendimentos. ainda mais medo pela certeza de que certas coisas não mudam mesmo.

3 comentários:

photographie disse...

é que se esparramou pelo chão mais um item da minha coleção de ilusões - eu juro que até hoje acreditava que as pessoas melhorassem com o tempo - e que a velhice teria algo a oferecer: o corpo vai se perdendo, mas daria espaço para uma alma que se fortaleceria e se libertaria dos vícios...

Rafael Cavalcanti disse...

Envelhecer não implica parar de brigar. Não, não. Envelhecer implica lutar com mais afinco pelas coisas em que se acredita, implica brigar mais arraigadamente pelos seus ideais, porque no fundo, você vê que o mundo está indo na direção contrária deles. E se você não defendê-los, ninguém mais vai fazê-lo.

Minhas tias e minha mãe até hoje brigam entre si como se fossem as meninas que moram debaixo da asa da mãe e disputam a atenção dos pais ou aquele vestido especial de que todas gostaram. Eu acho genial isso no ser humano, uma forma um tanto estranha -- mas ainda assim, válida -- de manter a jovialidade. Não tenha medo pela sua vó. Tenha orgulho por ela ainda querer lutar. Porque no fundo, é uma luta que denota a vontade de continuar vivendo e fazendo a diferença na vida dos outros ao seu redor. :)

photographie disse...

adorei seu texto, rafa! me ajudou a olhar diferente...