30 maio 2007

fisiologia

é difícil. tem coisa na vida que dói. mas tem que fazer, não tem outro jeito. estou falando sobre intervenções cirúrgicas, exames invasivos, efeitos colaterais e aparelhos ortodônticos. ontem eu precisei colocar uma coisa na boca. chama-se "platô" o instrumento de tortura. dá para imaginar esse aparelho em campos de concentração. dói. dói muito. e ainda destrói as funções da fala, inviabiliza o ato de comer e provoca depressão nas primeiras semanas. enfim, o objeto é utilizado para deslocar o maxilar. isso mesmo, é feito para arrebentar a cabeça. simplesmente, um emaranhado de ferros (alguns deles revestidos com acrílico) que trava a língua e impede que os dentes inferiores encostem nos dentes de cima. parece simples. mas é uma das coisas mais desesperadoras que já experimentei na vida. daí vem a velha frase (oriunda de bocas alheias - porque somente bocas alheias seriam capazes de pronunciar tamanha blasfêmia): "você se acostuma". tudo bem, eu sei que os organismos são capazes de se adaptar e sobreviver às condições mais inóspitas. mas não deixa de ser tortura. e não deixa de causar dor, sofrimento, insônia (e ódio do dentista). o argumento que ele (o dentista) usou para me convencer a usar esse trambolho bucal: "as articulações do seu maxilar estão em risco, e já estão muito desgastadas para a sua idade. além disso, seus dentes também estão sofrendo com sua oclusão, é preciso corrigir". tá vendo, não tive opção. mas a verdade é que agora, nesse momento de sofrimento agudo, eu já não sei o que é pior para meu maxilar e dentes desgastados. chego a sentir saudades daquele dentinho torto que até me incomodava de vez em quando. eu sei que é lamúria, lamentação, e que isso não resolve nada. tudo bem, no fundo eu sei que vai melhorar. são apenas dois meses. algumas noites sem dormir. vários dias sem comer. muito tempo sem falar. enquanto isso tomo mingau de aveia com paracetamol.

25 maio 2007

navalha na carne

após prender 46 acusados de participar da máfia das obras, a polícia federal vira alvo de ataques do palácio do planalto, do congresso nacional e do judiciário. os dirigentes dos partidos da base aliada reclamaram com o presidente lula do "vazamento de informações sigilosas" e da "arbitrariedade" nas prisões dos suspeitos (???). o próprio presidente da república criticou a ação da polícia federal, e ainda lamentou a demissão do ministro silas rondeau (acusado de receber propina de R$ 100 mil da construtora gautama) (!!!). lula também determinou que o ministro da justiça apure os "excessos" da polícia federal (...). para completar, o governo entra em ação para impedir a abertura de uma cpi destinada a investigar o caso (vergonha e nojo).

24 maio 2007

evaporar

foto: Alexandre Costa
"o rio fica lá - a água é que correu - chega na maré - ele vira mar - como se morrer - fosse desaguar - derramar no céu - se purificar" (r. amarante)

para ouvir

23 maio 2007

o homem, que matou o homem que matou o homem mau

foto: João Wainer

"marcaram o duelo às duas horas de uma terça-feira - e nesse dia todo o comércio fechou - só a funerária meia-porta baixou - e dois tiros se ouviram - no chão o homem mau ficou - dizem que ele morreu foi por amor"

18 maio 2007

Ron Mueck

O trabalho desse escultor australiano que vive na Inglaterra impressiona pelo realismo. Mueck aprendeu a esculpir vendo os pais construírem brinquedos. Ele nunca frequentou aulas formais de artes plásticas. Suas réplicas perfeitas o levaram à televisão e ao cinema, onde trabalhou com efeitos especias em programas como Muppet Show e Sesame Street e nos filmes Dreamchild e Labyrinth. Em Londres, Mueck criou uma pequena empresa especializada em efeitos especiais para atender às solicitações de agências publicitárias. Sua primeira exposição, Sensation: Young British Artist from the Saatchi Collection, foi apresentada na Royal Academy of Arts de Londres em dezembro de 1997. Nessa exposição, Mueck chamou a atenção da crítica e do público com a escultura Dead Dad, que aprensentou, em escala reduzida (dois terços do tamanho natural), o corpo nu de seu pai morto. A escultura é de verossimilhança impressionante. As cores, texturas e imperfeições da pele, rugas, os detalhes das unhas, sobrancelhas e cabelos fazem de Dead Dad um marco na história da escultura moderna e contemporânea. Na Bienal de Veneza de 2001, Mueck foi o grande destaque. A escultura Crouching Boy, com 5 metros de altura, concentrou todas as atenções e projetou seu trabalho no mundo. Atualmente, sua obra pode ser vista na National Gallery e na Tate Gallery de Londres, no Hirshhorn de Washington (onde está o Big Man da foto acima), no Modern Art Museum de Fort Worth, no Modern Art de San Francisco, na National Gallery of Canada em Ottawa e na National Gallery of Australia em Canberra.

14 maio 2007

yann tiersen

adoro cortar cabelo

adoro cortar cabelo. adoro o frio na barriga que isso dá. e a sensação de tocar o cabelo depois e o sentir diferente, mesmo que ninguém mais perceba o corte novo. adoro quando você percebe e elogia, mesmo que ninguém mais o faça. adoro pintar cabelo. mesmo sozinha, em casa, adoro. adoro o cheiro da tinta e a ansiedade pra ver de que cor ficou. adoro cafuné. e tomar banho. com você é melhor, mas sem você também é bom. maravilhoso, adoro. conheço pouco de banheira. mas meu chuveiro é forte, é quente. adoro o abafado que fica no banheiro. a neblina e o eco. gosto de fechar os olhos e ouvir a água caindo, sentir o perfume e a espuma correndo pelo corpo. adoro deitar na cama depois do banho. e a qualquer hora. a melhor posição é essa: deitado. especialmente quando você está ao lado, insistindo em me dar seu braço como travesseiro. e adoro quando o cachorro vem pra nos fazer companhia. e quando nossas conversas são mais interessantes do que a programação da tv. e adoro quando você pára, olha, beija e ainda elogia meu novo corte de cabelo.

hino

foto: Mary Ellen Mark
hoje eu não vou sair de casa - hoje eu não vou pisar na rua - hoje eu não vou trocar de roupa - não vou sair de casa - hoje eu não quero ver a rua - hoje eu não quero confusão - hoje eu não quero ver pessoas - não vou sair de casa - hoje eu vou ficar ouvindo música - hoje eu vou ficar aqui dançando - hoje eu vou ficar aqui na minha - eu vou ficar sozinha

11 maio 2007

o engraçado da vida é que tudo são fases

foi um amigo que inspirou o 'pensamento do dia'. unem-se a isso correspondências de amigas, que são amigas há mais de 10 anos. e mais a constatação de que ontem foi uma fase diferente de hoje. que ontem foi um dia ruim, enquanto hoje é dia tranquilo. estou boazinha, prontinha de tudo. um único dia pode ter um bando de fases diferentes. uma semana, um mês, um ano e toda a vida. é fases com o namorado. é o namorado da fase. e também aquele que veio na fase errada. tem amigos de fases. fases com a mãe e com o pai. fases com o irmão e com o resto da família. tem até fases com o cachorro. e fase em que a planta do quarto dá flor. e tem a fase "o que quero da vida?" (e essa parece não passar nunca). e tem primavera e verão, outono e inverno. a fase da bota. a fase da saia. e tem as fases do sono também. e a fase do sonho no sono rem.

agradecimentos explícitos e especiais a pessoas que têm compartilhado muitas fases da minha vida, e que me pertiram invadir um pouquinho de suas fases: che, que eu amo muito, com quem quero passar todas as fases que me restam. dé, bi e nani, amigas em qualquer fase, e da fase 'sempre'. e rafa, que participou de poucas fases até agora, mas de fases muito importantes, grande inspiração, e estopim para essa postagem. amo vocês!

05 maio 2007

fmi

sim

obra de calder
"o desafio é o de nos libertarmos do negativo, que nada mais é do que nossa própria vontade do nada. uma vez tendo dito sim ao instante, a afirmação é contagiosa. ela explode numa cadeia de afirmações que não conhece limites. dizer sim a um instante é dizer sim a toda a existência"

03 maio 2007

waking life

foto: brian dilg

"esta é a minha janela para o mundo. a cada minuto um novo espetáculo. posso não compreendê-lo ou concordar com ele, mas eu o aceito e acompanho a maré. mantenha o equilíbrio, é o que eu digo. siga com a corrente. o mar jamais rejeita um rio. a idéia é mater-se em estado de partida, mesmo ao chegar. economiza-se em apresentações e em despedidas. a viagem não requer explicações, apenas passageiros. é aí que entram vocês"