31 agosto 2007

todo dia se morre um pouco. em alguns se morre mais. não há o que dizer. ficar quietinha. esperar passar.

30 agosto 2007

o inferno são os outros

egos desgovernados

tenho sido atropelada por egos vaidosos. pessoas que se impõem sem a menor noção dos limites para uma convivência saudável. as pessoas já não falam, bradam. em casa, no trabalho, no trânsito, na fila do supermercado... as pessoas fecham, cortam, peitam, ameaçam, mentem, manipulam. respeito em extinção. Hobbes tinha razão, "homo homini lupus". enchi. prefiro ser um urso.

25 agosto 2007

música para um fim de semana sem você

e pensar que são os mesmos velhos tacos de sempre. um mosaico de madeira que a gente chama de chão. guardam nossos momentos em segredos, como escondem poeira no rejunte de sinteco. os mesmos quadros e retratos com sorrisos que já passaram. as quatro paredes guardam. os mesmos lençóis por testemunha, a despeito da cama nova, que já vive nosso peso, mas não nos conhece tão bem. a maçaneta da porta, como um espelho côncavo, refletindo nossas tardes de amor. é engraçado, mas as tardes sempre foram tão melhores que as manhãs e as noites. desconheço o motivo disso. talvez as testemunhas saibam, observam por tanto tempo nossos cantos, choros e risos. o mesmo sol que desenha a sombra da grade de ferro no chão de tacos. a mesma cadeira, que faz vezes de mesa para guardar o abajur que ganhou de aniversário. o teto branco guarda nossos segredos, broncas e gemidos. o mesmo relógio que nunca funcionou e guarda sempre a mesma hora. a cortina azul que parece um céu de estrelas quando amanhece. as mesmas folhas verdes que enfeitam a janela. adesivos tornam-se papéis velhos e guardam histórias que desconheço. o armário com portas sempre abertas, e tudo o que ele guarda. roupas, sapatos. velhos, usados, surrados. e nos conhecem tão bem. nosso mundo e vida cabem nesse quarto. e guardo cada detalhe. a bolsa que sempre descansa no pufe alaranjado. a mochila que passeia com você pela cidade dorme sempre no mesmo canto. a tv nos observa toda noite. a antena nos aponta e ameaça. os mesmos travesseiros adormecem e despertam com nosso perfume. a coberta agora guarda nosso calor. e a gente passa. mas o quarto que agora está vazio guardará sempre tudo o que fomos juntos. nossa vida construída em retalhos, reflexos e tacos de madeira.

18 agosto 2007

umbanda

e então que "bati cabeça". não faz muito tempo que fui conhecer o centro espírita assistencial nossa senhora da glória. começou com uma curiosidade antropológica, e nunca mais saí de lá. a umbanda invadiu meu coração de supetão, abarcando tudo o que é necessário para alimentar minha fé em algo maior. passei boa parte da minha vida em busca dessa liga que não encontrei em tantos lugares. religião tem disso, tem que combinar com nossa história e estilo de vida. umbanda é um trabalho fundamentado espiritualmente. uma miscigenação religiosa com raízes africanas, ameríndias, européias... um sincretismo que têm se consolidado no brasil desde novembro de 1908, quando zélio de moraes, incorporando o caboclo sete encruzilhadas, sofreu preconceito da federação espírita do estado do rio de janeiro. esse preconceito contra entidades que se manifestam como preto velho, caboclo e criança permanece até hoje, e a sistematização da umbanda ainda não se deu de forma paradigmática. não existe uma umbanda, mas muitas, espalhadas pelo brasil e o mundo, tendo em comum a direção do povo de aruanda e a busca por um caminho evolutivo fundamentado na humildade e na caridade pura.

09 agosto 2007

o mar e o ar

"o mar pode nos afogar . pode nos inundar com o seu rosto azul . porém, não consegue nos separar . porque o amor respira sob o mar . o ar pode nos ressecar . pode nos carregar com o seu vento sul . porém, não consegue nos apagar . porque o amor aumenta com o ar . sempre que estiver à noite a chorar . saiba que estarei aqui . seco a água de seu pranto a soprar . não demoras a sorrir ... se o vento é de levar . o mar é de trazer de volta o que se vai . e a onda quer devolver o amor de eu e você"