30 março 2007

é pau, é pedra, é o fim do caminho

"agora que você virou as costas - tento me acostumar com a idéia de ser só metade - mas de qualquer ângulo - é sempre você que me conhece mais" C.

be alone

obra de adriana varejão
"being alone - it can be quite romantic - like jacques cousteau - underneath the atlantic - a fantastic voyage - to parts unknown - going to depths - were the suns never shown - and i fasinate myself - when i'm alone"

a drinking song

foto de Lorraine Daley
"look at you - you disgust me - giving me no more respect than the images on your TV"
nunca me senti forte. eu sinto demais. e o que eu sinto sempre é mais forte do que eu devo fazer. porque eu sempre quero o que eu sinto. isso faz de mim papel de arroz? uma vez alguém me disse que estava mais para coragem, mas juro que acho que está mais para burrice.

28 março 2007

heartburn

- sabe qual é o problema? não sei ficar triste...
- como assim?
- não sei entender que as coisas muitas vezes são de outro jeito, do jeito diferente do que a gente quer e precisa. não sei esperar passar. não sei entender que a dor às vezes vem e depois passa...
- mas eu também tenho momentos de não-aceitação.
- preciso crescer pra aprender a lidar com isso...
- pra isso que servem os paliativos... quando vc se dá conta, já conseguiu.
- é... enquanto isso mora um abacaxi na minha barriga... e eu fico brava! não consigo aceitar a dor.
- sabe um negócio curioso da língua inglesa? azia é heartburn. existe uma certa ligação entre as coisas do estômago e as do coração.
"as pessoas se libertam. um dia vão embora. e quando é a hora em que está quase acontecendo é uma coisa estranha. parece que o corpo vai se dividindo, a pele vai rasgando, vão se tornando duas a pessoa que era uma só. a imagem no espelho vira as costas e toma outro caminho. cansa de concordar. as panelas, os discos, os livros e os filhos tomam partidos diferentes. a correspondência aprende que são dois novos endereços. de uma janela vê-se montanhas. da outra, pasto. inventam-se novos hábitos, novas palavras. compram-se novas roupas. a música é outra. e logo se confundem por já não saberem mais quem são. ainda assim, dentro não estão separados. são dois corações emendados por umas costuras bonitas, uns pontos feitos à mão. e eu acho que é dor essa coisa estranha que se sente quando o tempo decide que é hora de desatar" (c.)

25 março 2007

solidão

obra de anna guerra
"solidão é lava que cobre tudo - amargura em minha boca - sorri seus dentes de chumbo - solidão: palavra cavada no coração - resignado e mudo - no compasso da desilusão - desilusão - desilusão - danço eu - dança você - na dança da solidão - caméllia ficou viúva - joana se apaixonou - maria tentou a morte por causa do seu amor - meu pai sempre me dizia: meu filho tome cuidado - quando eu penso no futuro não esqueço o meu passado - quando vem a madrugada - meu pensamento vagueia - corro os dedos na viola - contemplando a lua cheia - apesar de tudo - existe uma fonte de água pura - quem beber daquela água não terá mais amargura" (paulinho da viola)

24 março 2007

manuel bandeira

"não aprofundes o teu tédio. não te entregues à mágoa vã. o próprio tempo é o bom remédio: bebe a delícia da manhã"

16 março 2007

amor não é posse

"amar é doar, é libertar, é permitir que o outro tenha a oportunidade de escolher e trilhar o caminho que lhe é próprio. amar é permanecer amando, mesmo sabendo que os caminhos escolhidos são diferentes do nosso" (pai joão de aruanda)

desespero é o resultado de uma visão errada da vida

"é hora de trabalhar o desapego. nós não somos donos de ninguém. nenhum ser humano é propriedade de outro. acorde, meu filho. o tempo da escravidão já passou. por que se manter algemado a pessoas, objetos ou instituições humanas?" (pai joão de aruanda)

12 março 2007

desejo a você

elsa & fred. adoro filme de amor, e este é o melhor dos últimos tempos. filme de fazer amar. de fazer repensar o amor. como algo que extrapola tantas miudezas, para findar na essência que torna verdadeira nossa passagem por essa vida. é o que dá sentido. disso eu sempre soube. só que existe um mundo entre saber e realizar. outro dia, alguém (que eu amo muito) tocou meu coração, de forma bem doída, com uma acusação que me comeu por dentro: "eu não sei se você gosta de mim, ou de estar comigo... acho que gosta de me possuir, de me ter como seu". foram as palavras que mais doeram aos ouvidos e ao coração até hoje. a parte boa da história é que essa dor serviu para repensar o modo como tenho demonstrado (e até vivenciado) o meu amor. as dúvidas dentro do coração dessa pessoa tão querida têm uma semente, e fui eu quem plantei. depois de me odiar por alguns dias, me sentindo a pior dos monstros, assisti elsa & fred, na companhia da minha vó (aliás, foi ela quem me indicou o filme). percebi que o amor é como uma fruta de casca dura, difícil de abrir, mas com a polpa mais deliciosa do planeta! vale o esforço de se despir de todos os medos para viver um grande amor. eu sempre fui muito insegura. insegurança é medo de perder. e medo é quase certeza... para proteger meu amor empreguei a pior das técnicas: ciúme e possessividade. o que ganhei com isso? muita dor, e nenhuma segurança. mas tudo bem, passou. hoje inicio os primeiros passos na direção do auto-perdão. na busca por um amor puro e verdadeiro, com base na ciência de que o amor que eu tenho neste peito vale mais que qualquer rabo de saia rebolante que cruze o caminho dele. na esperança de que juntos realizaremos nossos sonhos, como elsa & fred.

10 março 2007

amores

"quanto mais eu amo e sou fiel, mais livre me sinto. quanto mais eu dedico o meu desejo somente a uma pessoa, mais liberdade eu experimento. (...) sejamos grandes. a favor da coragem de meter a mão nas feridas, nos problemas, nas dificuldades e se reinventar dentro da relação. ou não, e ter a coragem de assumir a falência, e romper e partir pra outra. a dor muitas vezes é civilizadora, luto não mata" (antonia pellegrino)
"encontrar alguém pra nos salvar de nós mesmos, mesmo que por um instante; inventar um jeito de tapar esse buraco que insiste em irromper no peito" (antonia pellegrino)
"você deseja ser única e especial e acredita que pode ser tudo isso para a pessoa que ama, o que é uma baita ilusão romântica. achamos que, quando encontramos alguém, ele vai esquecer todo mundo, o passado, as outras pessoas e só olhar para a gente" (trecho de entrevista com a antropóloga miriam goldenberg)

07 março 2007

troubled mind

foto: Klaus Mitteldorf
perdoa o mau jeito. tentar te carregar comigo para o fundo do pânico. queria socorro. por isso gritei. queria te fazer sentir comigo. alucinei. engasguei com o medo. tropecei em birras. me entreguei à dor. por isso berrei. angústia. queria te fazer sentir. queria que você me salvasse. queria você. queria o que estava escapando de mim. queria o controle que nunca tive. a segurança em um abraço. doía de contorcer. agora dói de secar por dentro. por isso, socorro.

o mundo é um moinho

"ouça-me bem amor - preste atenção - o mundo é um moinho - vai triturar teus sonhos tão mesquinhos - vai reduzir as ilusões a pó"

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06 março 2007

milagres acontecem!

Nem eu acredito! Mas estou acordando cedo todos os dias para malhar! Pasmem! Logo a criatura mais avessa à academias, musculações, malhações, enfim: inimiga de tudo que faz suar! Eu era (até semana retrasada) e sempre fui a rainha do sedentarismo. Gosto (ou melhor, gostava) de acordar tarde, ficar deitada em frente à tv devorando caixas de bis. Detestava me mexer. E agora o dia começa com uma disposição que até então desconhecia. E finalmente descobri que aqui dentro desse corpinho (ainda em forma de quibe, mas por pouco tempo!) existe a tal serotonina que desperta bem no meio das aulas de power pool, body balance, bola suíça, dança de salão e até no meio daquela coisa chata que é e sempre será a musculação! Espero que dure pra sempre, ou por pelo menos três meses, o que corresponde à duração do meu plano na academia milagrosa.

música francesa

valeu pelo presente Rafa! adorei!!!