28 agosto 2006

não é tarefa fácil amar alguém

"é preciso ter uma energia, uma curiosidade, uma cegueira... há até um momento, bem no início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletimos, não o fazemos"
(a náusea)

26 agosto 2006

nuvem passageira

"eu sou nuvem passageira - que com o vento se vai - eu sou como um cristal bonito - que se quebra quando cai - não adianta escrever meu nome numa pedra - pois essa pedra em pó vai se transformar - você não vê que a vida corre contra o tempo - sou um castelo de areia na beira do mar - a lua cheia convida para um longo beijo - mas o relógio te cobra o dia de amanhã - estou sozinho, perdido e louco no meu leito - e a namorada analisada por sobre o divã - por isso agora o que eu quero é dançar na chuva - não quero nem saber de me fazer ou me matar - eu vou deixar em dia a vida e a minha energia - sou um castelo de areia na beira do mar" (Hermes Aquino, 1979)

Trilha sonora de novela em 1979, música de Hermes Aquino, gaúcho egresso da banda Liverpool, virou sucesso nacional. Chegou a ser citada por Raul Seixas em “eu também vou reclamar”. Parece que Aquino lançou um disco, mas brigou com a gravadora e voltou para o Sul, onde se tornou produtor de jingles. É o que sei sobre a música de 27 anos, que ouvi por acaso outro dia, num radinho de pilha. Lúdica e existencialista, belo resgate dos anos 1970.

medo é terrível prisão

23 agosto 2006

existirmos, a que será que se destina?

cibelles

"ô minha linda - minha neguinha - o meu café ficou tão sozinho - os meninos que passam - e eu olho sem ter pra quem mostrar - ô minha linda - minha neguinha - histórias que eu conto no vento - eu me sento aqui pra ladainha - eu me sento aqui avoadinha - eu guardo no bolso - eu guardo no bolso as histórias da dona sinhá - mas me falta tu mesmo e teu jeito de me contar - e eu guardo no bolso - eu guardo no bolso da dona sinhá - histórias que tu me traz - e as flores começam a girar - o sol se põe na pracinha - e eu me sentei cantante - sozinha - o sol se põe lá na pracinha - e eu me sentei sonhando - quietinha"

simones

Tão oposta, que reflete invertido. E invejo. Talvez por acreditar que ela não sofresse desses medos tolos, desses pensamentos fracos que me poluem. Força e coragem que busco. Uma liberdade que quero gritar, mas que sufoca na garganta, e cala. Será que ela não sentia? Sentia sim, quem não sente? A questão é ser mais forte que isso. Acreditar em algo que esteja acima desses medos tolos. Porque ter coragem é diferente de não sentir medo. Encarar sem medo é muito fácil, não tem valor algum. Ter coragem é enfrentar esses medos todos, descobrir algo que faça valer à pena.

22 agosto 2006

me faz dar um sorriso esquecendo o que é pendente

minha vida vai correr como água doce...

mudanças, mudanças. não é questão de escolha. talvez nunca tenha sido. mas tem movimento, e no que move a gente mexe. nunca foi balé, nunca teve leveza. e isso é bom, engana menos... e continuo aqui, mexendo. indo com o que me leva. permitindo. um riachinho.

20 agosto 2006

(de)repente

no começo era medo - então, mariposa rodopiando em lâmpada - depois susto - e oco que fica quando alguma coisa lá dentro morre - e folha seca de ficar sem - no desespero de te querer de volta - por fim, alívio te ver de novo - ilusão de te ter - se nada se tem - é só querer tentar de novo - e descobrir que tem amor pra isso
"repente = dito ou ato repentino, irrefletido; ímpeto"
(aurélio buarque de holanda ferreira)

11 agosto 2006

fotos de buenos aires

demorou, mas atualizei.

será que o tempo realmente passa?

Buenos Aires. Como sinto saudade. Aquele quarto de hotel com cama grande para rolar com o par. Saudade de passar 24 horas ao lado do homem que eu amo... Saudade das andanças e descobertas que duravam dias inteiros. Saudade de me perder na Recoleta e acabar descobrindo um Centro Cultural que fez a noite valer o dia. E de tomar sorvete de doce de leite passeando por praças em pleno inverno. Aprender a gostar de carne. Fazer macarrão na cozinha do hotel. Tomar vinho bom e barato. Passear no supermercado. Ser a pessoa mais feliz no mundo em San Telmo, comprando um casaco da década de 1930, em meio a tantas bugigangas... Saudade de descobrir um restaurante que já foi farmácia e ter o melhor almoço da vida. Saudade também da cantina italiana. E dos argentinos. Dançarinos de tango. Torcedores de futebol. Taxistas em seus táxis cheios de estilo, que nos davam balinhas e mapas e ainda alertavam sobre os perigos da cidade. Perigos que felizmente não vimos. Ao invés disso, vimos um cemitério fazer vezes de museu. E vimos museus. E tomamos as melhores cervejas. E falamos com o Brasil de cabines telefônicas que se metiam em mercadinhos... Saudade de me meter em mercadinhos. Saudade do colorido do Caminito. E de entrar pela primeira vez em um estádio de futebol. E dos preços, que saudade dos preços! E dos cafés, e dos churros, e do doce de leite. E da Florida. Do croissant do café da manhã. Saudade do Teatro Colón, com sua história. E da história daquela cidade inteira, com seu Café Tortoni e seu moinho. Especialmente, saudade do tempo de Buenos Aires... Do tempo que as pessoas têm para deitar ou se sentar em praças, e cochilar, e conversar, ou simplesmente olhar o mundo, parar. Que tempo é esse que não vejo por aqui onde tudo corre, onde as pessoas correm? Que tempo é esse que não passa? Não passa!? Passa... E que pena que passa. Porque se não passasse, não estaria agora sofrendo de saudade da cidade na qual espero morar algum dia.

o caminho do meio